MTB 12 Horas
– O Desafio Final!
Acabou. Para mim acabou mesmo! Cinqüenta e
dois anos, com só três vividos como ciclista metido a atleta/competidor.
De cinquentão sem noção, há ciclista disposto
há pedalar 12 Horas seguidas na categoria Solo, para encerrar
de vez esta mística de competidor veterano.
Explico: em 2004, totalmente despreparado, encarei o Bigbiker na categoria
Pró, montado em uma bike adequada para FreeRide, que pesava quase
vinte quilos, e de quebra mais uns dez em uma mochila de 30 l às
costas. Acreditem, percorri os intermináveis 100 km em 09h54min:
57. Cheguei na sexta posição, quase morto, mas feliz pela
proeza. Resumo: 5 pódios, muitos por W x 0, ou seja, estava entre
os cinco, mas só havia cinco competidores. Se alguém achar
que é mole, faça o Big na Pró meu camarada. Penso
que fiz jus aos méritos.
Ano passado, bike último tipo, encarei todas as competições
que apareciam pela frente: Cross Country, Trip Trail, Endurance, Regularidade,
Maratona, etc. Foram treze pódios em umas 25 competições,
ainda com gente “pegando no meu pé”, por não
haver muitos competidores em algumas delas. E eu com isso? Queria mais
é divertir-me e escrever, já que a convite de alguns sites
havia começado a descrever minhas peripécias ou loucuras,
segundo minha ex-namorada.
Pois é, um dia chego a casa e ela disse:
- Você escolhe: esta porcaria de bicicleta ou eu, num ton ameaçador
que dei um passo para trás.
- Claro amor! Adoro a Graziela (minha Scott MC 10). Vou sentir saudades
suas, queridinha. E não é que a danada jogou minha amada
na cama de casal e se mandou. Só fiquei um pouco chateado, porque
tal atitude impensada manchou uma linda colcha trazida do Ceará,
droga!
Ah! Neste ano! Que ano galera, está sendo o bicho! Estou pirando
de vez. Comprei mais uma bike, esta de carbono, XTR e o diabo a quatro.
Entrei em academia, puxei ferro, fiz Spinning. A cada ida, corria uma
hora feito uma besta na esteira, vendo tevê feito bobão
e por aí em diante.
Cancelei aniversário, visita a parentes, passeios e fui a todas
as competições do ano. Foram 16 pódios em umas
25 competições até agora. Portanto, já metido
a competidor aguerrido, timidamente, fui conquistando um degrauzinho
do pódio a mais, na base da garra mesmo, até porque meus
companheiros ciclistas da categoria são campeões. Há
anos.
Mas faltava um desafio dos grandes, no que pese haver participado das
duas edições do Ecomotion com relativo êxito. Então,
recebendo hoje o significativo apoio da Fox / ASW e da Scatt Bike que
mantêm a Graziela e a Florisbela, tinindo de novinhas, apresento-me
agora, a encarar o MTB 12 HORAS, na categoria SOLO.
Talvez muitos pensem que será uma insanidade, mas garanto que
vou fazer bonito. Sabem por quê?
Na edição de 2004 desta competição, chafurdei
a bike na lama, mesmo protestando por quase detonar minha amada naquele
chuvarada dos fins dos tempos. Daí que perdi o medo, mas não
o respeito pelo meu velho corpo e atento aos sábios conselhos
dos amigos de fé, sempre presentes em minhas últimas façanhas.
Agora, amigos: sem as vibrações positivas de todos vocês
sei bem que experimentarei meu primeiro e definitivo fracasso. É
fato que além dos mais de quinhentos ciclistas, mais de mil pessoas,
isso entre parentes, organizadores de competições, fabricantes,
lojistas estão prestigiando o evento. E é de todos que
irei alimentar-me. Sob seus olhares iluminarei a sinuosa trilha à
noite e vencerei o cansaço certo durante o dia, até as
12 badaladas.
Em fim, peço seu estímulo, seu apreço, meu caro
leitor, meu querido companheiro. O Desafio Final está próximo,
e nele vou dar tudo de mim para não decepcioná-lo. Depois
será abraçar a todos, e se possível, juntos aos
meus três filhos queridos e... partir para outra, pois 2007 estará
chegando e já me vejo em muitas competições de
MTB.
Agora, digam a verdade: Como não há competição
igual ao MTB 12 Horas, nada como encerrar essa fase tão boa de
minha pré-velhice (Cruz Credo), arrepiando com vocês. É
claro!
Até lá!
Professor Arnaldo